No 4º episódio, no Podcast Ler Montessori, li sobre o que Maria Montessori levou para as conferências de 1946 a respeito da imagem que se vê abaixo.
O primeiro objetivo era trazer a imagem, para que visualmente se torne mais claro aquilo que foi lido. E aqui está.
O segundo objetivo é então refletir sobre o que Maria Montessori, nos trouxe, mais do que a explicação prática do seu significado, trouxe-nos as reflexões importantes para a sua aplicação quotidiana.
De forma resumida, este diagrama, traz-nos uma imagem do desenvolvimento de cada ser humano, dividido em 4 fases, do nascimento aos 6 anos, dos 6 aos 12, dos 12 aos 18 e dos 18 aos 24. Nestes planos ainda podemos dividir em cada faixa de 6, grupos de 3 que dão ênfase a períodos de maior desenvolvimento culminando em determinado momento para dar lugar a períodos de descanso. Estes períodos de descanso podemos também percebê-los como períodos de aperfeiçoamento dos conhecimentos adquiridos antes. Há um trabalho e desenvolvimento consistente, mas mais pacífico.
Torna-se claro, a importância que ela trouxe a uma faixa etária que até então não era considerada aos olhos do mundo. O esquema abaixo em cinzento traz-nos a comparação crítica que ela sempre fazia questão de trazer à consciência, para entendermos o porquê de métodos comuns não funcionarem.
A educação só começa a ter relevância a partir dos 6 anos, antes disso a criança não existia para a sociedade. Podemos dizer que aos dias de hoje e graças ao trabalho feito até então, já temos escolas que consideram então estas idades mais tempranas, mas não posso deixar de mencionar, que se tornaram de uma forma generalizada depósitos e não ferramentas de uma ajuda à vida. Por isso, em certa medida, talvez não tenham sido tantos os progressos. Cabe-nos tomar medidas de mudança.
Como podemos observar neste plano, cada fase obedece a um ritmo, a uma lei. Essa lei, chama-se a lei do ritmo. É universal, é natural. Tudo o que conhecemos obedece a um ritmo. Depois de um impulso à vida tão forte como o nascimento e os seguintes 3 anos, há um contrabalanço de calmaria e aperfeiçoamento dos 3 anos seguintes.
Observe-se a natureza; o dia precede a noite, o inverno precede a primavera. Tudo tem o seu ritmo e o seu ciclo. O seu tempo. A cada tempo uma necessidade, uma ajuda necessária. Aquilo que é alimento no inverno será veneno no verão. Um depende do outro, um se prepara para o outro. Assim é na natureza, assim é no ser humano.
Compreendermos estes ritmos é compreendermos que há ajudas necessárias a cada etapa, às necessidades diferentes a serem atendidas e só assim podemos ter uma educação como ajuda à vida. Que respeita uma lei, que se sobrepõe a qualquer outra. Uma lei universal.
Maria Montessori, na conferência faz referência àquele que deve ser o ponto de partida: “ a nossa transformação deve vir do coração”. O centro. Apenas a partir de um centro firme e no devido lugar, teremos a capacidade de incluir os nossos ritmos e por consequência os ritmos da criança.
É no adulto que esta percepção deve ser primeiro tomada, cuidemos dos nossos ritmos, dos nossos momentos de descida que precederá a subida. Conectemo-nos a um ritmo individual, para depois compreendermos e sermos uma ajuda à vida de quem se cruza connosco.
Para mais detalhes deste plano, já existe informação muito completa e difundida em outros autores que partilho:
https://larmontessori.com/o-metodo/#A_Crianca_no_Metodo_Montessori